Foto: Divulgação | Tiago Moraes.
O livro “Quatro Patas – A História de Pituco“ nasce de uma experiência íntima e universal: o amor por um animal de estimação e a dor de sua ausência.
Em entrevista exclusiva para a coluna do Portal Minuto News, o autor Tiago de Moraes das Chagas compartilha o processo de transformar essa vivência em literatura, abordando temas como vínculo, presença, memória e recomeço.
Entrevista com Tiago de Moraes das Chagas
1. Quatro Patas nasce de uma experiência pessoal muito íntima. O que te motivou a transformar essa vivência em um livro?
Durante a pandemia, tive tempo para retomar a ideia de criar um projeto de super-heróis, que deu origem ao universo Radius. Pituco, além de meu cachorro de estimação, foi a inspiração para um dos personagens que acabou se tornando maior que o próprio Radius. Infelizmente, Pituco faleceu vítima de um atropelamento quando a série já contava com dois volumes publicados e o terceiro em produção. Após o lançamento do terceiro volume, um amigo e agente literário sugeriu que eu contasse a história do cachorro real que inspirou todo esse universo e assim o livro nasceu.
2. Você apresenta Pituco como um “herói improvável”. Como surgiu essa ideia de deslocar o heroísmo do extraordinário para os pequenos gestos do cotidiano?
Pituco veio a se tornar um herói improvável, pois ele era apenas um cãozinho normal, como qualquer pessoa tem em casa. O fato de ele ter se tornado um personagem não o transformaria em um supercão. Ele apenas, na minha concepção, seria uma evolução da espécie, podendo, no futuro da minha história, agir como um humano poderia agir.
3. Por que você acredita que histórias aparentemente simples têm tanta força emocional e simbólica?
Porque são nessas histórias que as pessoas se identificam, já que partem de experiências simples. Quem é que não tem em casa um cachorro, um gato ou algum animal de estimação pelo qual desenvolve amor e gostaria que ele pudesse falar, além das coisas normais que eles já fazem? Quando criei Pituco, eu não tinha ideia do quão grande ele se tornaria e de como faria com que as pessoas projetassem nele a forma como gostariam de enxergar seus próprios animaizinhos.
4. A memória e a saudade atravessam o projeto. Como esses sentimentos influenciaram o tom e a construção da obra?
O tom da obra busca mostrar ao leitor, por meio das minhas palavras, como um cachorro comum, de família, foi o estopim para a criação de um universo. Ao contar a história de Pituco, a narrativa revela essa vivência cotidiana compartilhada por tantas pessoas, que convivem com esse afeto diariamente e, muitas vezes, só se dão conta de sua dimensão quando tudo acaba. O livro não retrata nenhum tipo de arrependimento, mas sim um alerta de que as coisas um dia acabam e de que a oportunidade de fazer diferente depende desse despertar ainda em vida.
5. O livro fala de vínculos, presença e afeto. Por que esses temas se tornaram tão urgentes no mundo de hoje?
O mundo, apesar de moderno e digital, tornou-se mais frio. As pessoas se distanciaram por meio da tecnologia, passam meses sem se ver pessoalmente, sem se abraçar. Aquilo que por muito tempo foi almejado, a tecnologia, acabou se tornando, em muitos casos, um tiro no pé. Por isso, o livro propõe uma reflexão e o resgate de valores que ainda nutrem o calor humano, como os vínculos, a presença e o afeto.
6. Em um período como o fim de ano, marcado por excessos e balanços emocionais, que tipo de reflexão você espera provocar no leitor?
O fim de ano escancara ausências, cansaços e excessos. A reflexão que o livro propõe é justamente a de desacelerar e se reconectar com o que importa. Deixar o celular de lado, visitar os pais, brincar com os filhos, passear com o cachorro. Mais abraços, mais carinho.
7. Em uma frase, o que Quatro Patas diz sobre afeto?
Pituco nunca precisou dizer uma só palavra para mostrar o quanto me amava.
8. Que legado você espera que essa história deixe em quem lê?
Que o legado de Pituco desperte nas pessoas o amor, a lealdade, o cuidado, a responsabilidade afetiva e o autoamor. A história de Pituco veio para aquecer corações e provocar um despertar em vida, para que, quando houver saudade, ela seja uma saudade positiva, e não culpa.
SOBRE O LIVRO
Afeto, criatividade, amor, começo e recomeço. Foi com essa mistura de sentimentos que Pituco, um vira-lata cheio de energia e carisma, chegou à casa do publicitário e roteirista Tiago de Moraes das Chagas na Páscoa de 2020, em pleno isolamento da pandemia. O que começou como uma adoção surpresa para alegrar o filho acabou se transformando em algo maior: a inspiração para criar um super-herói canino nas histórias em quadrinhos e, posteriormente, escrever o livro infantojuvenil Quatro Patas – A História de Pituco, em parceria com o jornalista e escritor Ramon Barbosa Franco.
Com tom biográfico e afetuoso, a obra mistura realidade e ficção em capítulos curtos que narram a convivência desde o primeiro dia, as descobertas, as travessuras e a conexão especial que uniu toda a família. O livro também revela como esse vínculo deu origem ao universo Radius, projeto de quadrinhos idealizado por Tiago desde a adolescência e concretizado na fase adulta a partir da convivência com o cachorro — que inspirou o protagonista das HQs premiadas.
Intercalando fotos, ilustrações coloridas e reflexões, Quatro Patas aborda temas como lealdade, presença, perda e propósito. A narrativa sofre uma virada com a morte de Pituco, vítima de um atropelamento em julho de 2024. O luto do autor se transforma em combustível criativo, mantendo o amigo canino vivo na literatura e na memória.
Ele, sem dúvidas, não foi apenas um cão, mas alguém que sempre sabia exatamente quem era e onde estava. E, na sua partida, deixou uma lição de autenticidade e presença que permanece comigo, como um amigo que nunca se foi completamente. Essa marca que ele deixou em minha vida é algo que ninguém pode apagar. Até mesmo o projeto Radius, que carrega seu nome, é uma extensão dessa presença indiscutível.
Pituco foi, em muitos aspectos, um super-herói de verdade.
(Quatro Patas – A História de Pituco, p. 80)
Lançado pela Mustache Comics, o livro celebra o poder das conexões entre as espécies e mostra que os verdadeiros heróis não usam capas, mas deixam marcas profundas em quem os ama.
Sobre o autor
Tiago de Moraes das Chagas é natural de Marília (SP), nascido em 17 de setembro de 1981. Formado em Administração pelo Univem, atua como diretor da Mustache Marketing e fundador da Mustache Comics. Roteirista, publicitário e criador da franquia de HQs Radius, Tiago desenvolve narrativas que misturam ficção científica e cultura brasileira. O projeto, que ganhou força durante a pandemia, conquistou prêmios nacionais de excelência gráfica e o troféu de Super-Herói Brasileiro do Ano de 2024. Pai de Lucas Almeida de Moraes, o autor transforma vivências pessoais em histórias sobre coragem, humanidade e recomeços.
Redes sociais:
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Sobre o coautor
Ramon Barbosa Franco é jornalista e escritor, formado em Comunicação Social pela Universidade de Marília (Unimar). Iniciou sua carreira como repórter aos 16 anos e construiu uma trajetória marcada por prêmios literários em cidades como Marília, São Paulo, Niterói e Rio de Janeiro. Autor de livros como Contos do Japim, A Próxima Colombina e Canavial, os vivos e os mortos, também atua como roteirista de histórias em quadrinhos, assinando títulos como Radius, Onde Nasce a Luz e Os Canônicos. Além da literatura, desenvolve projetos de comunicação corporativa e escreve crônicas para jornais do interior paulista.
Instagram: @ramonbarbosafranco
Ficha Técnica
Título: Quatro Patas
Subtítulo: A História de Pituco
Autor: Tiago de Moraes das Chagas
Coautor: Ramon Barbosa Franco
Editora: Mustache Comics
ISBN: 978-65-01-30485-4
Formato: 155 x 223 mm – Colorido
Edição: 1ºed., 2025
Arte de Capa: Mustache Marketing
Gênero: Infantojuvenil
Número de páginas: 184
Preço: R$ 70,00
Onde encontrar: Site do projeto | Google Play | Amazo
