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A divulgação dos preços dos ingressos para o show de Jackson Wang no Brasil provocou forte repercussão nas redes sociais e entre fãs do artista. O motivo da indignação não foi o valor base das entradas, mas o montante final pago pelo consumidor após a aplicação de taxas, serviços e pacotes adicionais, principalmente nos ingressos VIP vendidos pela Ticketmaster.
De acordo com os valores divulgados, o ingresso inteiro para o setor VIP Magic 1 tem preço base de R$ 960,00, mas o valor final chega a R$ 4.693,20 após a inclusão de R$ 2.951,00 em serviços e R$ 782,20 em taxas. Mesmo a meia-entrada ultrapassa a marca de R$ 4 mil, situação que gerou questionamentos sobre a proporcionalidade das cobranças.
No pacote VIP Magic 2, o cenário se repete: apesar do ingresso base também custar R$ 960,00, o valor final da inteira alcança R$ 2.796,00, evidenciando que os custos adicionais representam a maior parte do preço pago pelo público.
Diante da repercussão negativa, o deputado federal Guilherme Cortez anunciou que está acionando o Procon e a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) para que seja aberta uma investigação formal sobre possível cobrança abusiva. Segundo o parlamentar, os valores adicionais aplicados por produtoras e plataformas de venda levantam dúvidas quanto à transparência, legalidade e clareza das informações prestadas ao consumidor.
Cortez também destacou que a apuração ocorre em um momento sensível para o setor, já que a CPI das Produtoras, que pretende investigar práticas do mercado de eventos e entretenimento no Brasil, ainda não foi oficialmente instalada. Para ele, o caso reforça a urgência de discutir a regulamentação das taxas aplicadas em grandes eventos.
A situação envolvendo o show de Jackson Wang reacende um debate antigo no Brasil: a cobrança de taxas de conveniência, serviços VIP e adicionais pouco detalhados, prática comum em grandes turnês internacionais. Especialistas em direito do consumidor frequentemente alertam que, embora taxas possam existir, elas devem ser claras, justificáveis e proporcionais, conforme prevê o Código de Defesa do Consumidor.
Nas redes sociais, fãs do artista demonstraram frustração, afirmando que os valores finais inviabilizam o acesso ao evento para grande parte do público, especialmente jovens e estudantes — parcela significativa do fandom de K-pop no país.
O caso também levanta discussões sobre o impacto dessas práticas no acesso à cultura e ao entretenimento internacional no Brasil. Com ingressos que ultrapassam múltiplos salários mínimos após a aplicação de taxas, cresce a percepção de elitização dos grandes shows, afastando parte do público que sustenta o mercado.
Até o momento, a Ticketmaster e a produção do evento não divulgaram um posicionamento detalhado sobre a composição das taxas. O caso segue em acompanhamento por órgãos de defesa do consumidor e pode se tornar um precedente importante para futuras discussões sobre a regulação do setor.
